Precisamos proteger os mais vulneráveis do Coronavírus

Coronavírus nas comunidades

Tive uma grande preocupação ao escrever este artigo. Porém, mesmo correndo o risco de ser tachado de alarmista, achei importante fazê-lo. Sabemos que o coronavírus já é uma realidade no nosso estado. As autoridades têm trabalhado para evitar um pico da doença ao combater aglomerações, suspender eventos públicos e decretar quarentena para estudantes e servidores, exceto os da Segurança e Saúde. Atitude correta. 

 

Mas acredito estarmos diante de uma bomba-relógio: a chegada da pandemia às comunidades do nosso Rio de Janeiro. Será que estamos preparados para isso? O problema pede ao Brasil uma grande dose de sensibilidade, bom senso e inteligência nessa situação emergencial.

 

De acordo com a Oxfam Brasil, organização não governamental que trabalha no combate à desigualdade social, a população de baixa renda tem grande risco de ser a mais afetada pelo coronavírus. Trata-se de uma população que habita áreas com grande concentração demográfica e pouca incidência de luz solar. São muitos moradores em pequenos espaços de convivência e quase sempre condições insalubres de saneamento. 

 

Esses fatores aumentam muito o potencial de contaminação. Tal perfil habitacional se repete em comunidades como a Maré, Complexo do Alemão, Cidade de Deus, e talvez na maioria das 800 comunidades do Rio de Janeiro.

 

Deputado Federal Luiz Antônio visita comunidade Roquete Pinto na Maré

 

Pensemos no nosso sistema de transporte público: sempre cheio e circulando por toda a cidade é um dos maiores vetores de contaminação. Ao regressarem para suas casas, essas pessoas podem submeter toda uma família, rua ou pequenos conjuntos habitacionais ao risco da doença. Estamos falando de um custo humano e econômico sem precedentes.

 

A Rocinha, com seus mais de 100 mil moradores, é o principal foco de tuberculose do país. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cidade do Rio de Janeiro possui uma taxa de incidência de 372 casos por 100.000 habitantes, 11 vezes mais alta que a média nacional. Utilizo a tuberculose como exemplo pela semelhança com a forma de contaminação pelo COVID-19. 

 

Se não há como resolvermos o problema de habitação sem uma política séria e duradoura de estado, podemos assumir que talvez seja o momento de os empresários, empregadores e entidades públicas liberarem, progressivamente, seus funcionários das atividades laborais. É o momento de pensarmos em férias coletivas para serviços não essenciais. 

 

Semana passada, foi noticiado que uma família contaminada pelo coronavírus no Rio não teria licenciado do serviço a empregada doméstica. Não adianta exigir que sua casa ou escritório estejam limpos e higienizados se você submete ao risco quem realiza esses serviços. Pensemos também no dilema de milhares de mães que, sem escolas e creches, não têm com quem deixar seus filhos para trabalharem. 

 

Aliás, para ficarmos nesse exemplo, o Sindoméstica (Sindicato das Empregadas e Trabalhadores Domésticos) avalia quais recomendações em relação à pandemia devem ser dadas para as trabalhadoras nos próximos dias.

 

É diante desse cenário que venho pedir a atenção de todos para os moradores das nossas comunidades. Trabalhar em regime de home office (em casa), normalmente, não é uma possibilidade para quem habita essas áreas. Temos de lembrar que, para muitos desses moradores, água limpa e sabão são um luxo – quem dirá álcool gel.

Um abraço do Deputado Federal Luiz Antônio

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